ABRINDO A PORTA...

Ao estilo de Declaração de Princípios, esta é a casa do 

    … humanismo no sentido inequívoco do antropocentrismo em que o Estado serve o cidadão, por ultrapassagem do teocentrismo medieval e em oposição a todos os sistemas que obriguem a pessoa servir o Estado

    … da Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU 1948) e contra tudo que a contrarie;

    … da sistemática busca da harmonização de interesses nem sempre concomitantes, por oposição a perturbadora luta de classes;

    … da liberdade de pensamento e respectiva expressão;

    …do pluripartidarismo que, abrindo alternativas de doutrina e estratégia, permite ao eleitorado (o verdadeiro «dono» do poder) a opção perene ou flutuante entre doutrinas e circunstâncias;

    … da definição doutrinária do bem-comum, na esperança vinculada de que propostas disruptivas da harmonia e da liberdade como conceitos unicitário chumbem nas urnas periódicas, universais, secretas e livres.

* * *

Eis o mundo em que este blog quer viver.

Janeiro de 2026

Henrique Salles da Fonseca

Comentários

  1. De nada teria valido a Viktor Orbán ler esta "Declaração de Princípios", porque o "etnocentrismo medieval" está-lhe entranhado no espírito. Mesmo que quisesse fingir para não perder as eleições de ontem, homem com alguma inteligência como é reconhecido, lá no íntimo deve saber que nada adiantaria tentar meter o humanismo nos interstícios da sua alma.
    Noutras latitudes, será igualmente uma impossibilidade para Donald Trump e J. D. Vance coabitar com o humanismo e abrir as persianas da janela para entrar a claridade do Iluminismo. Evangélicos ou católicos, ambos estão capturados pelas cores mais negras do obscurantismo.
    Isto para não falar dos islâmicos, que esses são ainda mais escrupulosos nas regras da sua impiedade. E nem se fale desse Homo sapiens que habita para lá dos Urais.
    De resto, dum modo geral o antropocentrismo parece afastar-se da órbita que traçou há 3 séculos, como que, arrependido, procurando salvados do etnocentrismo no espaço e no tempo. Sim, a nossa espécie está em regressão.

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    1. Penso que o etnocentrismo medieval é a contrareacção ao centralismo de Bruxelas que por vezes parece assumir o caracter de colonialismo mental (eurocentrismo). A doutrina medieval deu lugar à doutrina colonial mental da luta pelos "Valores democráticos" europeus! Quanto ao Iluminismo parece ter-se tornado Sol que cega que por sua vez nos estará a conduzir ao beco sem saída de um outro obsurantismo! Falta em tudo sobretudo medidas compensadora passíveis de equilíbrio
      António da Cunha Duarte Justo

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  2. Reli o meu comentário e verifiquei que cometi um lapso: onde escrevi "etnocentrismo" quis escrever "teocentrismo", aliás, parafraseando a terminologia de que fez uso o Dr. Salles da Fonseca.. Está mais que evidente que não fazia sentido como estava. Peço desculpas, mas é o resultado de um pouco de dislexia visual.

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  3. Acho importante que seja abordada de perto a frase “pluripartidarismo que, abrindo alternativas de doutrina e estratégia, permite ao eleitorado (o verdadeiro «dono» do poder) a opção perene ou flutuante entre doutrinas e circunstâncias”. O busílis da frase vem da performatividade democrática. O busílis da frase vem da performatividade democrática. Ela descreve o jogo de xadrez (mover peças) como se os jogadores tivessem poder sobre o tabuleiro. O eleitorado não exerce uma "opção perene ou flutuante" sobre doutrinas reais; exerce uma opção controlada sobre simulacros de doutrina, reduzindo o sufrágio a um ritual de validação do regime. Corre-se o risco de confundir o procedimento com a soberania. Se o pluripartidarismo é subsidiário do regime, as doutrinas em confronto não são alternativas reais ao status quo mas sim variações internas do mesmo paradigma vigente. O eleitor não escolhe entre doutrinas antagónicas (“alternativas de doutrina e estratégia"), mas entre marcas ou tons da mesma narrativa sistémica. Na verdade, o pluralismo funcional (subsidiário) serve para gerir consensos, absorver dissidências e conferir aparência de liberdade, enquanto o núcleo duro do poder (que se alterna e as suas narrativas) permanece inalterado e fora do alcance do voto.
    António da Cunha Duarte Justo

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