«FUNDAÇÃO EUGÉNIO DE ALMEIDA»
Ou
III
Condes de Vil’Alva
Ser nobre é questão de estatuto; ter nobreza é
questão de condição. O estatuto herda-se; a condição conquista-se.
O
nobre é o que consta dos Registos oficiais e históricos. Quanto à nobreza ela
divide-se em do espírito e a das atitudes:
· A nobreza de espírito é a que
consiste na busca do significado das coisas, dos lugares e dos factos, ou seja,
resulta da busca do significado, do espaço e do tempo;
· A nobreza de atitudes
varia conforme os ambientes da vida mas na maior generalidade, considera
sentir-se igual entre os grandes e ser protetor dos menores.
«Se
queres ser nobre, merece-o.»
Friedrich
Schiller (1759-1805)
* * *
Eis
Maria Teresa e Vasco Maria Eugénio de Almeida, III Condes de Vil’Alva e
refundadores dos estudos de nível superior a sul do Tejo português. Instituído
(e perenemente financiado) o ISESE, foi lançada a semente que floresceu na
Universidade. E do marasmo se fez dinâmica; da região de emigração para
horizontes mais promissores se gerou força centrípeta de desenvolvimento
endógeno. Tudo, porque o conhecimento é a base do desenvolvimento e a educação
é a melhor arma contra a pobreza. «Se um pobre te pedir um peixe, ensina-o a
pescar».
Contudo,
é moroso o tempo que decorre entre a evidência da educação como motor do
desenvolvimento e o convencimento dos carenciados em vencerem a inércia mental.
Por
isto, passados 50 anos sobre iniciativa dos ora homenageados e de políticas
incentivadoras de instrução pública, o NUTS centrado em Évora ainda apresenta
conforme estimativa do INE para os anos 2025/6 uma taxa de analfabetismo de
2,98% em vez dos ambicionados 0%; ~55% da população em idade activa possua o
ensino obrigatório em vez dos
80%
desejáveis; ~30% dos maiores de 25 anos terem alguma formação pós-secundária em
vez dos 50% que, por si só, constituem acelerador inter-geracional do
progresso.
«Em
Portugal não é o Ministério da Educação quem mais combate o analfabetismo, mas
sim as agências funerárias» - Roberto Carneiro, Ministro da Educação nos
Governos de Cavaco Silva.
***
Cumpri-nos
continuar a obra iniciada pelos Conde de Vil’Alva pelo que, com vista a
colmatar as lacunas acima identificadas e em complemento das já em vigor,
parece útil adoptar as seguintes medidas de política:
· Envolvimento do Instituto do Emprego e
Formação Profissional (IEFP) no combate ao analfabetismo pela formação de
formadores, os Alfabetizadores (sobre cujas funções tratarei noutro texto);
· Equiparação
progressiva da formação profissional do IEFP ao ensino ministrado pelas vias
profissionalizantes (antigas Escolas Técnicas);
· Alargamento
substantivo e geográfico das vias profissionalizantes equivalentes ao 12º ano;
· Relançamento
perene da Telescola;
· Criação
nos Institutos Politécnicos do ano Zero dando equivalência ao 12º ano e acesso
aos cursos ministrados no mesmo Instituto;
· Lançamento
do ensino à distância nas Universidades Públicas como forma de entrada no
mercado global e inerente medida da competitividade de cada Instituição.
Assim
teremos ocasião de transformar o país da mão-de-obra medido pelo PIB numa Nação
cérebro-de-obra medida em PNB.
Abril
de 2026
Henrique
Salles da Fonseca
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