«QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF?»
Ou
QUEM
TEM MEDO DA REALIDADE?
O conhecimento da realidade é subjectivo,
relativo; a ignorância é absoluta, unicitária.
***
O problema endêmico do desenvolvimento endógeno de
Portugal é o baixo nível médio da escolaridade.
Mesmo tomando em consideração o esforço praticado
nas políticas de educação por todos os Governos democráticos, há ainda muito
que fazer para que consigamos parar de «trabalhar para a estatística» e
deixarmos andar por aí muito gato universitário disfarçado de lebre.
Apesar de tudo, continuamos a desperdiçar
conhecimento devido ao paradoxo de mandarmos para casa Técnicos Superiores da Administração
Pública, Forças Armadas e de Segurança bem como Professores de todos os graus só
porque fazem 70 anos de idade -passando, a partir daí, a levar os netos à
escola, a cozer meias rotas e a ir ao supermercado.
O paradoxo residi na necessidade de dar oportunidade
a jovens licenciados com novos saberes mas desperdiçando, no topo das careiras
a sabedoria acumulada.
Aqui fica a sugestão ao Ministério da Reforma do Estado no sentido de:
· Criar um «Banco de Cérebros» (não gosto do nome mas não vou agora perder tempo com isso) a gerir pela Inteligência Artificial de modo a reunir a experiência adquirida por todos aqueles que foram mandados para casa;
· Todos aqueles a mandar para casa que sejam convidados no último semestre de trabalho a responder a inquérito (anónimo ou personalizado conforme a vontade do entrevistado) de modo a que se constitua uma ampla base de dados de consulta pela própria Administração Pública.
Assim,
sem medo de encarar a realidade e não desperdiçando conhecimentos bem como valorizando
o saber sem desprezo da sabedoria; encarando a realidade de modo tão objectivo
quanto a racionalidade democrática o permita para transformarmos o País de
mão-de-obra medido pelo PIB na Nação do cérebro de obra medido pelo PNB.
Abril
de 2026
Henrique
Salles da Fonseca
Uma boa ideia.
ResponderEliminarMuito pertinente. Continuamos a desperdiçar capital intelectual já formado, o que representa um custo económico real, ainda que pouco visível.
ResponderEliminarValorizar talento sénior não é uma questão geracional, é uma questão de eficiência e produtividade.
Tem toda a razão, Dr. Salles da Fonseca. Direi até que é uma questão de inteligência e sensatez aproveitar o conhecimento e a experiência dos mais velhos. Dum modo geral todos os países o fazem, com maior ou menor expressão. Até as sociedades primitivas o faziam, dependendo as grandes decisões comunitárias do "conselho dos anciãos".
ResponderEliminarM/ Caro Dr. Salles da Fonseca.
ResponderEliminarGostei.
Abraço
APM
Caro Henrique tem toda a razão. E fez- me lembrar um caso que vivi no Min da Saúde na altura em que houve muitas enfermeiras que se reformaram. No final de uma reunião , relativa a um pequeno projecto, falei que seria uma boa ideia , contractar as enfermeiras reformadas , tipo m uma manhã por semana , talvez por um mês, para treinar as novas nas rotinas e nos materiais . Ficaram a olhar para mim como se fosse um extraterrestre , e riram-se . Planeamento e organização , em Portugal???
ResponderEliminarCarlos Bernardo
Boa tarde, Dr. Salles. Vá escrevendo sempre, que os seus escritos são imprescindíveis... Um bom abraço.
ResponderEliminarBerta Brás
Caro Dr Henrique Salles da Fonseca
ResponderEliminarMuito oportuna esta sua reflexão.
Fui reformado muito antes de atingir os 70 anos, pois na Empresa havia um "Acordo Colectivo de Trabalhadores".
Aos 65 anos é obrigatória a reforma, desde que se tivesse 40 anos de descontos, podendo excepcionalmente ficar mais um ano se a Administração o permitisse.
Permitiu.
Como cheguei aos lugares de topo do Grupo, e tendo percorrido a grande maioria dos setores da Empresa, permiti-me oferecer-me para ficar para por mais tempo não apresentei condições e tão pouco ao dispor de todas as chefias para ser "aconselhador em total sigilo", sem ser concorrente de ninguém, das chefias. qualquer nível, (lugares sempre muito solitários) que se sentissem necessidades de um qualquer parecer ou decisão a tomar.
Nem obtive a delicadeza de uma justificação de não poder pôr ao serviço da Empresa os meus 55 anos de experiência no sector energético.
Por tudo o que tem escrito e publicado os meus parabéns!
Rui Bravo Martins